23/04/2010


...um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,
acordarei entre os teus braços,
a tua pele será talvez demasiado bela,
e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.
Um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno
fôr tão distante, quando o frio responder devagar
como a voz arrastada de um velho, estarei contigo e
cantarão pássaros no parapeito da nossa janela, sim, cantarão
pássaros, haverá flores, mas nada disso será culpa minha,
porque eu acordarei nos teus braços e nao direi nem uma palavra,
nem o princípio de uma palavra, para não estragar
a perfeição da felicidade"
José Luís Peixoto in "a criança em ruínas"
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