27/04/2010

Procuro sinais de algum amor teu. Vestígios de noites passadas. 
Tu não me vês, estou incógnita a te observar.
Como sempre estive, olhando pelas janelas, de longe, coração apertado. 
Nós poderíamos ser amigos e trocar confidências.
Assistiríamos a filmes, taça de vinho nas mãos, e tu me detalharias
as tuas paixões e desatinos. Nós poderíamos ser amantes que bebem 
champanhe pela manhã aos beijos num hotel em Paris. 
Caminharíamos pela beira do Sena, e eu te olharia atenta, numa
tentativa indisfarçável de gravar o momento e guardá-lo comigo
até o fim dos meus dias.Ou poderíamos ser apenas o que somos, 
duas pessoas com uma ligação estranha, sutilezas
e asperezas subentendidas, possibilidades de surpresas boas.
Ou não. Difícil saber. Bato minhas asas em retirada. Tu dormes, 
e nos teus sonhos mais secretos, não posso entrar. 
Embora queira. À distância, permaneço te contemplando. 
E me pergunto se, quem sabe um dia, na hora certa, nosso encontro
pode acontecer inteiro. Porque tu és o único que habita a minha solidão.

Paula Pfeifer
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