04/01/2011

"Reduzi. Raras linhas. Dois versos. Hoje eu tento, me prolongo. Continuo – me em contos pra te prender em mim. Não me faltam flores nem verbos; eu me falto. Nunca sou a mesma de ontem e hoje reticencio – me nos seus poros. Desconheço esses olhos e o caminho onde me afirmo. Me desconheço nessas vírgulas em que me pauso. Respiro. Abro mão do impossível, deixo voar o ponto que me finaliza. Que todos vejam, que todos exclamem. Que todos sejam em mim, o bastante. Mais que o bastante, o que eu preciso; interrogações. Que sejam maiores que eu, mas não tão maiores quanto os sonhos que invento e os versos que venero, mas que sejam linhas retas e infinitas de pura indefinição. Eu quero mesmo é que me encontrem em uma dessas estradas pintadas com cores e luz, que me grifem e desafiem o verbo. Farei de mim uma ponte de segmentos nus e ironias. Do outro lado te escrevo de qualquer jeito, pouco me ajeito, fortaleço os meus defeitos e me faço (poe)minha. Agora aqui, aqui eu exijo o meu melhor lado, a rima perfeita no verso dos versos onde me encontro. E no meu melhor tempo, na solidão da lida, amar-te-ei em poesia."

(Priscila Rôde)
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